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I Seminário de Restauração Florestal reúne especialistas e fortalece debate sobre conservação, água e desenvolvimento sustentável na RH-VI

Promovido pelo CBH Lagos São João, encontro abordou impactos da degradação ambiental, experiências de restauração, políticas públicas e caminhos para recuperar a biodiversidade e as funções ecológicas dos territórios

Na última quarta-feira (30) a relação entre florestas, água, biodiversidade e desenvolvimento sustentável esteve no centro dos debates durante o I Seminário de Restauração Florestal e Desenvolvimento Sustentável da Região Hidrográfica Lagos São João (RH-VI), realizado no Teatro Municipal de São Pedro da Aldeia. O evento, promovido pelo Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João (CBHLSJ), reuniu especialistas, pesquisadores, representantes de instituições públicas, organizações e diferentes atores envolvidos com a gestão ambiental para compartilhar experiências e discutir caminhos para ampliar a restauração ecológica no território.

Ao longo do dia, quatro painéis conduziram uma reflexão que partiu dos impactos da degradação dos sistemas florestais, passou pelas iniciativas já desenvolvidas pelos Comitês de Bacia e outras instituições e pelas políticas públicas existentes, até chegar às propostas voltadas à recuperação da biodiversidade e das funções ecológicas. A programação reuniu pesquisadores e profissionais de diferentes instituições e áreas de atuação.

A abertura contou com a participação do Presidente do CBH Lagos São João, Jailton Dias Nogueira Júnior; a Secretária Executiva do Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ), Adriana Saad; coordenador da Câmara Técnica de Restauração Florestal e Desenvolvimento Sustentável (CT Restauração Florestal) do CBH Lagos São João, Ricardo Guadagnin; e o Diretor do Subcomitê do Rio Una, Mario Flavio.

O Presidente Jailton agradeceu a presença do público e destacou a importância de reunir diferentes setores em torno de um tema diretamente relacionado à segurança hídrica e à qualidade ambiental da região.

“Quero agradecer a participação de todos que aceitaram estar aqui conosco para compartilhar conhecimento e construir esse debate. Este é um evento muito importante para o nosso Comitê e para toda a Região Hidrográfica. Não existe vida e não existe água sem as florestas. Cuidar delas, recuperar as áreas degradadas e conservar o meio ambiente é uma responsabilidade de todos nós”, destacou Jailton.

O primeiro painel, “Degradação Ambiental em Sistemas Florestais e seus impactos”, apresentou diferentes perspectivas sobre as consequências da perda e alteração da cobertura vegetal e a relação desses processos com os recursos hídricos. Entre os temas abordados estiveram os impactos hidrológicos da degradação florestal e a importância da conservação da biodiversidade e dos processos ecológicos para a manutenção de territórios mais resilientes.

Participaram do painel o professor Gean Paulo Michel, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Thièrs Wilberger, Diretor Secretário do CBH Macaé Ostras e representante do Instituto Escola Tiê-Sangue de Preservação, Conservação e Restauração da Mata Atlântica; e Philipe Campello, diretor de Biodiversidade da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE).

Na sequência, o segundo painel voltou o olhar para “Ações dos Comitês de Bacia Hidrográfica e outras iniciativas de Restauração Florestal”, reunindo experiências e propostas que demonstraram como a recuperação ambiental pode ser incorporada à gestão dos recursos hídricos. Participaram Dalva Mansur, Adriana Saad, Ricardo Fernando Guadagnin e Maria Inês Paes Ferreira.

O coordenador da CT Restauração Florestal, Ricardo Guadagnin, apresentou a proposta “Restaurar para Desenvolver”, relacionando restauração florestal, segurança hídrica e turismo sustentável. Em sua abordagem, destacou a necessidade de pensar a restauração de maneira integrada ao desenvolvimento regional, conectando conservação ambiental, atividades econômicas e planejamento territorial.

“É importantíssimo realizarmos eventos como este, porque precisamos ampliar esse diálogo e transformar conhecimento em ações para o território. Agradeço a todos que participaram e contribuíram com suas experiências. Quando falamos em restauração, não estamos falando apenas de recuperar uma área degradada. Estamos falando de água, de desenvolvimento, de turismo, de qualidade de vida e do futuro da nossa região. Precisamos enxergar a floresta como parte da infraestrutura do território e fazer da sustentabilidade uma condição para o desenvolvimento”, ressaltou Ricardo.

Durante a tarde, o terceiro painel abordou as “Ações Institucionais e Políticas Públicas em Sistemas Florestais”, trazendo para o debate instrumentos, programas e estratégias capazes de ampliar a restauração ecológica e a conectividade da paisagem.

A engenheira florestal Monise Aguillar Magalhães, da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS/RJ), apresentou o contexto das políticas estaduais voltadas à restauração. Entre os instrumentos abordados esteve o Plano Estadual de Restauração Ecológica, estruturado para integrar ações de recuperação dos ecossistemas florestais, fortalecer a cadeia da restauração e estabelecer diretrizes técnicas, sociais e financeiras para ampliação da cobertura florestal.

Representantes da Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) também apresentaram ações de restauração voltadas à conectividade da paisagem, destacando a importância de conectar fragmentos florestais e articular diferentes iniciativas para ampliar os resultados ambientais no território.

Mesmo estando em Londres, Ana Cristina Petry, do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NUPEM/UFRJ), participou do Seminário por videoconferência. Em sua palestra, abordou as conexões entre restauração florestal e os serviços ecossistêmicos dos mananciais, reforçando como a recuperação da vegetação e das áreas de proteção está relacionada à conservação dos recursos hídricos e à manutenção das funções ambientais.

O quarto e último painel, “Proposta de Recuperação de Biodiversidade e Funções Ecológicas”, ampliou a reflexão sobre o próprio significado da restauração. Participaram José Guilherme de Figueiredo, Thièrs Wilberger, Rafael Badia Campos de Rezende, Ocimar Ferreira de Andrade e Adauta Oliveira Braga.

José Guilherme de Figueiredo, presidente da Rede de Informação Ambiental/Instituto RIA, apresentou uma perspectiva de integração entre restauração e bioeconomia, abordando a formação de corredores capazes de conectar biodiversidade, serviços ecossistêmicos, produção sustentável e desenvolvimento territorial.

Já Thièrs Wilberger abordou a restauração ecológica a partir da recuperação dos processos que permitem que os ecossistemas voltem a funcionar. Em sua apresentação, diferenciou restauração ecológica de reflorestamento e destacou o papel da regeneração natural, mostrando que o plantio de árvores é uma das ferramentas disponíveis, mas que a estratégia adotada precisa considerar as características e condições de cada área.

Rafael Badia Campos de Rezende apresentou a experiência acumulada entre 2014 e 2026 na Bacia do Rio São João, relacionando restauração florestal ciliar e conservação hídrica. O trabalho envolveu mobilização de proprietários rurais, diagnóstico de áreas, ações educativas, proteção de nascentes e recomposição de matas ciliares.

O professor Ocimar Ferreira de Andrade, do Instituto Federal Fluminense (IFF) – Campus Cabo Frio, trouxe para o debate os ecossistemas costeiros, apresentando estudos relacionados à dinâmica das dunas e às interações ecológicas nesses ambientes.

Já Adauta Oliveira Braga, da Tree+, relacionou a restauração da Mata Atlântica à recuperação de áreas degradadas, proteção da biodiversidade, carbono, geração de renda e desenvolvimento de uma bioeconomia associada à floresta.

Ao reunir diferentes experiências em um mesmo espaço, o I Seminário mostrou que a restauração florestal precisa ser compreendida de forma integrada. Mais do que recuperar a cobertura vegetal, o desafio envolve reconectar paisagens, conservar a biodiversidade, proteger mananciais, recuperar processos ecológicos e aproximar instituições, poder público, iniciativa privada, proprietários e sociedade.