Promovido pelo CBH Lagos São João, encontro reuniu estudantes em palestras, oficinas e construção coletiva de propostas para os desafios socioambientais da região
O protagonismo juvenil ganhou espaço na gestão das águas da Região Hidrográfica Lagos São João (RH-VI) durante o II Fórum da Juventude pelas Águas, realizado na última sexta-feira (28), no auditório da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), campus Cabo Frio. Promovido pelo Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João (CBHLSJ), o encontro proporcionou aos jovens um espaço de diálogo, troca de experiências e construção coletiva sobre os principais desafios socioambientais do território.
A abertura contou com a participação do presidente do CBH Lagos São João, Jailton Dias; da secretária executiva do Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ), Adriana Saad; da coordenadora da Câmara Técnica de Educação Ambiental e Comunicação Social (CTEACOM), Dalva Mansur; e de Diego Macedo Veneu, representando a UERJ, Campus Cabo Frio.
Durante a abertura, os participantes conheceram mais sobre o funcionamento de um Comitê de Bacia Hidrográfica, a gestão participativa dos recursos hídricos e, principalmente, a importância de ampliar a presença dos jovens nos espaços onde são debatidas e construídas decisões relacionadas às águas e ao futuro dos territórios.
A programação deu continuidade a uma iniciativa iniciada em outubro de 2022, quando a primeira edição do Fórum reuniu jovens de diferentes municípios da RH-VI para debater temas como justiça socioambiental, saneamento, sustentabilidade e direito ambiental. Quatro anos depois, o II Fórum retomou esse espaço com o propósito de ampliar a participação e estimular os jovens a se aproximar da gestão das águas.



Ao longo do dia, os estudantes acompanharam palestras sobre Saneamento, Mudanças Climáticas e Soluções Baseadas na Natureza e Geomorfologia das Bacias Hidrográficas, criando uma base de conhecimento para as atividades desenvolvidas posteriormente.
A programação também contou com cinco oficinas temáticas: Tratamento de Água, conduzida pela Concessionária Prolagos; Tratamento de Esgoto Sanitário, apresentada pela Concessionária Águas de Juturnaíba; Erosão do Solo e Cobertura Vegetal, conduzida pela analista técnica do CILSJ, Aline Ribeiro, em conjunto com a Geóloga Carolina Bastos e do Engenheiro Civil Alex Leão, ambos do Projeto Com Ciência do CEPEDES UERJ (Centro de Pesquisas e Estudos sobre Desastres da Universidade do Estado do Rio de Janeiro) que é uma iniciativa educacional e interativa voltada para a conscientização e a redução do risco de desastres naturais no estado do Rio de Janeiro. Além da oficina do Projeto Mar Sem Lixo, conduzida pela Gisele Letieri.
Nas oficinas, os jovens tiveram a oportunidade não apenas de receber informações, mas de identificar problemas presentes em seus próprios territórios e pensar possíveis caminhos para enfrentá-los.
Após participar da atividade sobre saneamento, a estudante Yasmin Martins destacou entre os principais desafios identificados pelo grupo a infraestrutura de coleta e tratamento, especialmente diante do aumento da população em determinados períodos, além da necessidade de ampliar o acesso da sociedade às informações sobre o funcionamento dos sistemas de saneamento.
“A gente trouxe três propostas para problemáticas, algumas delas a partir das soluções baseadas na natureza, porque aprendemos com a apresentação da concessionária Águas de Juturnaíba que eles têm um processo mais verde, onde tratam o esgoto e utilizam plantas para ajudar a purificar ainda mais o efluente antes de ele voltar para a natureza. Isso com certeza pode ajudar nos períodos de alta temporada na nossa região”, explicou Yasmin.



A estudante também chamou atenção para a possibilidade de transformar a maneira como o saneamento é compreendido pela população. Para ela, assim como ocorre no ciclo da água, o tratamento do esgoto deve ser entendido como um processo de transformação, no qual o efluente passa por diferentes etapas antes de retornar ao ambiente.
Questões relacionadas ao descarte irregular de resíduos, deficiência na drenagem e ausência de cobertura vegetal também apareceram entre as preocupações levantadas pelos participantes.
A estudante Kailany Lima ressaltou que seu grupo apontou a Educação Ambiental e o fortalecimento das políticas públicas como caminhos necessários para enfrentar esses problemas.
“A Educação Ambiental não chega para todo mundo da mesma maneira. Aqui podemos achar que o que estamos vendo hoje também chegou a alguém de outra escola ou de outro território, mas pode não ter chegado. Uma das nossas propostas é ter uma Educação Ambiental mais acessível para toda a população”, afirmou.
Para Kailany, ampliar esse acesso deve caminhar junto à implementação de políticas públicas capazes de contribuir para ações como restauração ecológica e melhoria da separação e destinação dos resíduos.
A problemática do lixo no mar também mobilizou os estudantes durante a oficina do Projeto Mar Sem Lixo. Entre os pontos levantados estiveram a necessidade de maior participação das escolas em projetos socioambientais, de ampliar o número de voluntários envolvidos nas ações e os desafios enfrentados durante atividades de retirada de resíduos do ambiente marinho, que podem exigir autorizações e equipamentos específicos.



A oficina apresentou ainda o trabalho da pescadora e artesã Bruna Lopes, que reaproveita restos de redes de pesca retirados do ambiente para produzir peças artesanais. Um vestido confeccionado a partir desse material ficou exposto durante o Fórum, demonstrando aos participantes uma possibilidade de ressignificação de resíduos associados à atividade pesqueira.
Mural da Juventude reúne propostas para a RH-VI
Depois das palestras e oficinas, os estudantes voltaram a se reunir para a Plenária Final, momento destinado ao compartilhamento das reflexões e propostas construídas pelos diferentes grupos ao longo do evento.
Os resultados foram reunidos no “Mural da Juventude”, material que sintetizou a percepção dos participantes sobre os desafios socioambientais da RH-VI e os caminhos apontados pelos próprios jovens para contribuir com a transformação de seus territórios.
No encerramento, a coordenadora da CTEACOM, Dalva Mansur, destacou o potencial da Educação Ambiental para abrir novas perspectivas e defendeu a ampliação dos espaços destinados à participação juvenil dentro do Comitê.
“A Educação Ambiental pode mudar vidas. É isso que nós, professores, queremos: poder abrir os olhos de alguém para que essa pessoa descubra novos caminhos e possa crescer. Se conseguirmos mudar a vida de um jovem que está aqui, já saímos felizes”, afirmou.
Dalva também reforçou o desejo de aproximar cada vez mais esse público da estrutura de gestão das águas. “Continuarei insistindo para que a gente abra essa porta, faça o Comitê Adolescente e possa ter a participação de muito mais pessoas e jovens”, completou.
O CBH Lagos São João segue fortalecendo seu papel na Educação Ambiental como instrumento de participação social e criando oportunidades para que crianças, adolescentes e jovens não sejam apenas público das ações ambientais, mas possam expressar suas percepções, apresentar propostas e participar da construção de soluções para o futuro das águas da Região Hidrográfica Lagos São João.